Fico pensando em como é difícil gostarmos de gente. Somos da mesma espécie, moramos bem próximos uns dos outros, trabalhamos com gente, relacionamos intimamente com gente, estudamos também com gente, mas quando o assunto é “gente”, dizemos: “É muito complicado mexer com gente!”
Realmente, lidar com gente, não é tarefa das mais simples e animadoras. Isso se deve ao fato das pessoas serem diferentes umas das outras, pois, da mesma forma, foram educadas de forma diferente, moraram em locais diferentes, passaram por experiências diferentes. Então, o que é preciso? É necessário que gostemos de gente, pois só assim conseguiremos compreender as pessoas e suas atitudes.
Contudo, fico ainda mais impressionado quando falamos de gente em relação às empresas. No final de semana fui a um barzinho com minha esposa e dois amigos. Chegamos lá uns dez minutos antes do horário combinado, mas só fomos atendidos no momento em que eles chegaram. Dizer que o garçom não nos viu? Impossível. Como se não bastasse, ele fez aquela pergunta característica, que parece ter sido treinada exaustivamente: Vocês já foram atendidos? É lógico que não!
O problema que vejo não é a demora no atendimento – e essa experiência já passei diversas vezes, e tenho certeza que cada um dos meus leitores também já vivenciou. O pior é que isso virou rotina e todo mundo acha comum. Isso mostra que as empresas não gostam de gente e fica evidente num ciclo vicioso que explico a seguir:
1.A empresa contrata alguém sem qualificação.
2.A empresa não qualifica o funcionário.
3.O funcionário presta um mau atendimento.
4.O cliente reclama do funcionário.
5.A empresa ignora a reclamação do cliente e prefere perdê-lo, ou então, a empresa escuta o cliente, demite o funcionário e contrata novamente alguém sem qualificação.
Percebam que em nenhum momento, a empresa oferece treinamento ao funcionário. Em nenhum momento a empresa preocupa-se em contratar alguém mais capacitado, pagando um salário melhor. Em nenhum momento, a empresa busca pesquisar o que o cliente realmente quer.
Com isso, chego a conclusão que, assim como as pessoas, as empresas também precisam saber se relacionar e, principalmente, gostar de gente. Quem gosta de gente, trata bem seu semelhante, seja ele empregado, patrão, cliente ou fornecedor. Quem não gosta de gente, pode sair do mercado a qualquer momento ou viver o resto da vida sozinho.